terça-feira, 11 de setembro de 2012

À sombra de tua sombra



Nos dias mais tristes
Ainda hei de cantar
Mesmo que a voz, antes doce,
Seja turva, entre escarros
Ou mesmo que ninguém ouça.

Hei de cantar.

Se os dias tristes persistirem
 Não terei ombro amigo
Nem um colo
Um abrigo
Ou um jazigo

Se os dias tristes persistirem
Hei de cantar.

Hei de andar sob a sombra
De um sol ardente.
Beber na fonte imunda de um oásis
E descalço cruzar o meu deserto.
Incerto de ainda ser vivente.

E tu me acolherás
Sob a sombra de tua sombra,
Acolherás meu corpo ressequido
E me dará nos lábios
O beijo tão sonhado,
Antes pedido
E antes negado.

E eu hei de cantar
Mesmo nos dias tristes,
Mesmo na incerteza
De ainda ser teu.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Despertando


De ilusões não hei mais de viver:
Despi meu manto de puro
- De homem imaturo.
Eu quero é viver perdidamente
E me perder no concreto da cidade
Aprender também a ser concreto
E não mais abstrato.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fracasso


Estou atado ao fracasso,
À melancolia e à miséria.
Aos olhos de Deus sou só matéria
E aos olhos do Diabo um desgraçado.

Ouço vozes a sorrir do meu fracasso.
É o mundo a saciar-se com meu pranto
Na derrota rude que da boca sai um canto
Com as eternas notas do cansaço.

Fracassar é ficar de pé quando espera-se que caia
É a nado cruzar três oceanos,
Sarando dos olhos desenganos
E ainda assim morrer na praia.

Calo! Pois só a derrota em mim ressoa
Pra quê falar se palavra não me resolve?
E as lágrimas, a tristeza é quem dissolve,
Não só a minha, mas a de qualquer pessoa.

Sim! Do mundo resta-me só a despedida.
Aos olhos ferinos e dispersos
É que escrevo, em silêncio, estes versos
Com o dedo inda cravado na ferida

Se erro no que fiz e no que faço
Devo apenas abrir mão da vida impura,
Cerrar os olhos no esplendor da sepultura
E permanecer atado ao fracasso

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Eu desisto


Se me perguntas porque parto
Te respondo: eu desisto!
Não vou mendigar um beijo
Se aos teus olhos não existo.

Álgidas horas eu perdi contigo,
Quando em meus sonhos tu reinavas,
Ou quando estavas ao meu lado
E nem um sorriso me lançavas.

E de teus risos fiz meu conforto.
E de minhas lágrimas fiz teu oceano.
Fiz de meus braços teu refúgio
E nos meus te ofereci calor humano.

Agora é dentro de mim que me escondo.
De ti não quero nada, só insisto
Que ao sair feche a porta,
Pois de ti, eu desisto.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Eu - cadente



Tu não viste quando passei
Rasgando do céu o negro manto
Não reparaste em minha tristeza
Muito menos no meu amargo pranto!

E as horas se passaram
Ferindo-me qual punhal afiado
Maculando lentamente meu corpo
E minha alma sonolenta.

Eu, mesmo cansado,
Tentei seguir da vida o trilho
Mas deparei-me com teu olhar de gelo
E a tua indiferença que apagou meu brilho.

Sem ter mais força para lutar
Eis – me aqui vencido:
A estrela, que em tua busca,
Cruzou o céu
E por teu desprezo,
Se abrigou no mar.

domingo, 29 de abril de 2012

É pecado?


Responde-me:
 É pecado comer do jardim a proibida fruta?
 Ou desfolhar da rosa a última pétala?
 Acaso é pecado perder da guerra uma luta?

 É pecado sonhar com teu corpo lascivo,
 Deitar a cabeça em teu seio inocente?
 Ou despi-la com com meu olhar de cobiça?
 É pecado roubar-te um beijo ardente?

 Tê-la em meus braços à noite
 E fazer desse momento algo eterno;
 Se é pecado? - pouco importa!
 Por ti vale apena descer ao inferno.
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