quinta-feira, 20 de outubro de 2011

(Sem título)



O sol que morre lá no horizonte
Debruçado nas águas salgadas do mar
É qual eu, prostrado à tua beleza
Prostrado à carne, ao pecado
 e ao medo de amar.

Ah, queria eu ser o cigarro
Que em teus rubros lábios tem repouso
Queria ser o teu poeta,
Mas não ouso
ao menos ser o teu amigo.

Dizer adeus não bastaria
Pois o que amo, levo comigo
O mundo cruel que antes lacerava
Não passa agora de um infiel amigo.

- Adeus!
Meus lábios tristes murmuraram
Sedentos por beijo forte e lívido
- o derradeiro!
O brilho do olhar antes tão vívido
Perdeu-se em trevas e devaneios

E se a ti meus sentimentos são alheios
Quisera eu vivê-los intensamente
Sem o descaso de vêr-te descontente
Sem o acaso de vêr-me em desgraça.

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2 comentários:

parole disse...

Poema intenso, mas essa parte é genial...

"Dizer adeus não bastaria
Pois o que amo, levo comigo"

Gostei muito, aliás, sempre gostei muito dos seus poemas.

Beijos e uma linda semana.

Janine Bettencourt disse...

Adorei... adoro a forma como brincas com as palavras e as conduzes num ritmo compassado.
Lindo!

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